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ATIVIDADES SIGNIFICATIVAS: POSSIBILIDADES DE EXPERIÊNCIAS CONCRETAS E REAIS

Continuando as reflexões sobre Projeto de Estudos e Sequência Didática.

Ana Maria Louzada


Partindo da premissa de que uma sequência didática é parte de um projeto de estudo, e tendo em vista que o projeto de estudo constitui uma organização do trabalho pedagógico de forma didática, ao se detalhar o projeto de estudo, visando responder as questões de estudos, bem como visando produção, apropriação e objetivação dos diversos e diferentes conhecimentos, necessário se faz vivenciar atividades, que sejam significativas.

Quando destacamos atividades significativas, nos remetemos à atividade tipicamente humana, reveladas nas/pelas práticas sociais e culturais. O conceito de atividade neste contexto se ancora na ideia de atividade como, experiência humana, “experiências reais das crianças”, que precisam ser consideradas nesse contexto social, cultural, histórico, econômico, político e ideológico em que vivemos. Experiências que precisam constituir práticas reais no lócus da escola, e, assim, serem objetivadas enquanto atividades pedagógicas num processo de interlocução com as atividades cotidianas.

Assim, atividade não é a mesma coisa que comumente vem sendo realizada no lócus da escola, como por exemplo, atividade de matemática: continhas de somar. Chamamos essa atividade, de exercício de matemática, uma vez que a mesma constitui um exercitar da técnica de fazer continha. A atividade nesse contexto é uma mera técnica. A técnica de aprender o passo a passo de fazer continha, por meio do comando arme e efetue.

Assim, ao tratarmos de atividade estamos nos remetendo à ideia de prática social e cultural. Uma atividade é uma possibilidade de viver experiências diversas que promovam a compreensão dos conhecimentos estudados e, para tanto exige produção, apropriação e objetivação de conhecimentos. 

Uma atividade exige interação entre o “eu e o outro”, exige interlocução, pressupõe experiência concreta e compartilhada. Uma atividade pressupõe necessidade real, objetivo real e motivo real. Enfim, pressupõe interlocutor real.

Considerada desta forma, ao se ensinar à criança a técnica de arme e efetue, num contexto de necessidade, objetivo e motivo real, o chamado exercício se revela uma situação de ensino aprendizagem, tendo em vista que para aprender como se resolve as quatro operações, necessário se faz criar uma situação de desafio, bem como contextualizar os motivos pelas quais as crianças deverão aprender o passo a passo de como se faz uma “continha”. 

Isso significa que ao aprender como sistematizar a referida operação de adição, é importante que essa situação de ensino aprendizagem, esteja relacionada com uma atividade real, como por exemplo, a necessidade de fechar o caixa do bazar que foi realizado para arrecadar recursos para alugar um ônibus. 

O motivo de aprender a fazer a referida operação é real, e por isso constitui um objetivo real e uma necessidade real, que por sua vez promove a objetivação dos conhecimentos de forma consciente, com vistas a utilizá-los no cotidiano das suas práticas sociais e culturais.

Num projeto de estudos, ao se instigar as crianças a pensarem sobre “como farão para aprender” um determinado conhecimento, destacam-se diversas possibilidades de atividades a serem realizadas, que por sua vez constituem as experiências a serem vividas no decorrer da implementação do referido projeto. 

Por isso, destacamos como atividade a pesquisa de campo, o bazar, e outras como: entrevista, leitura, produção de texto, experiência científica, festival de música, recital de poesia, caminhada/passeata, produção de outdoor, festival de pipas, organização de uma peça de teatro, mostra científica, intercâmbio sociocultural, etc. 

Para a realização dessas atividades, é fundamental realizar diferentes e diversas situações de ensino aprendizagem, que ajudam as crianças a se inserirem no processo de produção, apropriação e objetivação de conhecimentos.


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