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A ALFABETIZAÇÃO: Brincando com as letras e com as palavras



Ana Maria Louzada[1]
Dulcinéa Campos[2]
Maria José Nogueira Alves[3]

Introdução[4]


Falar em brincadeira geralmente nos conduz para uma interpretação do oposto à coisa séria, o oposto às tarefas de adulto. Mas seriam dois mundos opostos? O mundo da criança onde predominam a ilusão e a fantasia? E o mundo do adulto, regido pela realidade da razão, pela lógica real, pelo mundo da verdade?

Até quando se diz que brincadeira é coisa séria, esta dualidade, mundo da criança (da lógica dos desejos) versus mundo dos adultos (da lógica da razão) se faz presente.  Quando se fala “agora acabou a hora da brincadeira”, geralmente se refere a uma ação meramente lúdica, engraçada, que separa a criança das suas práticas sociais e culturais, como se as brincadeiras infantis não tivessem seus propósitos e não fossem coordenadas por uma lógica real, isto é, como se as crianças não produzissem conhecimentos nos tempos espaços do brincar.

Não existe brincadeira sem organização e sem motivo. A situação imaginária que permeia as atividades lúdicas tem uma lógica, mesmo não sendo formal, ou seja, não sendo previamente estabelecida e planejada.

Segundo Vygotsky, no jogo e no brincar, a criança consegue submeter-se às regras como fonte de prazer. Esse autocontrole interno sobre o conflito, entre o seu desejo e a regra da brincadeira, é uma aquisição básica para o nível da sua ação real, isto é, as atividades lúdicas têm implicações no processo de desenvolvimento das funções psicológicas superiores das crianças: aspectos intelectuais, bem como dos aspectos emocionais e sociais.

Em relação à alfabetização, para Vygotsk, a brincadeira também contribui para o desenvolvimento da língua escrita na medida em que a simbolização do jogo abre espaço para a expressão gráfica, seja por meio do desenho, seja por meio da escrita propriamente dita.

Se alfabetizar é ampliar as possibilidades de relação com o mundo (relação interpsiquica), e, se a brincadeira contribui para a internalização do mundo (relação intrapsiquica), não podemos dissociar brincadeira de alfabetização.

Ao compreendermos que brincar faz parte do jogo da vida, e que precisamos levar essa vida, com toda a sua brincadeira, perceberemos que o jogo de aprender brincando diminui o abismo que separa o mundo adulto do infantil. Precisamos descobrir o prazer que permeia as diferentes situações de ensino aprendizagem, enfim, gostar de ensinar e aprender por meio de diferentes e diversas brincadeiras. Na alfabetização, precisamos brincar com as letras e com as palavras.

Para ler o artigo completo em pdf: Clique Aqui!


[1]Coordenadora Pedagógica do CAEPE, Mestre em Educação/UFES.
[2]Doutora em Educação/UFES.
[3]Professora do CAEPE

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